Recomeçando

Vivo num impasse entre expor lições aprendidas versus saber que estou me expondo no embalo. É que escrever em primeira pessoa é exercício desde a Amanda dos 8 ou 9 anos e atualmente flui sem muito esforço.

O que pega na exposição é que, ao contrário do que pensara, as lições aprendidas não alcançavam só amigos, mas pessoas desconhecidas, e o feedback, por mais lindo que fosse, me dava um choque de realidade. “Que doido fulano ter tal percepção com base nos escritos!”. E despir a alma em palavras escritas, embora prazeroso, exige uma maturidade que as vezes cambaleio na certeza de ter ou não.

Devo confessar que o último que recebi me deixou de sorriso rasgado por uma semana.

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Nesse cambalear de maturidade, acaba que sempre pendo pros recomeços, porque de algumas certezas que rondam a minha cuca é que, feliz ou infelizmente, somos mutáveis; e lendo algumas coisas antigas vi que não correspondiam mais aos meus sentimentos atuais. Algumas ênfases dadas há um ano não são as mesmas.

Não tem muito e já percebo que a própria Casinha, tão ansiada e celebrada, não é algo que me faça os olhos brilharem. Não como antes. Talvez pela percepção, carcaça e decisão de não inclinar meu coração para coisas perecíveis. E isso inclui meu celular que quebrou, a máquina de lavar roupas e algumas coisinhas mais que estavam no efeito-dominó-de-quebras e eu nem suspeitava.

Desde os 24 completos e umas avaliações para onde estava caminhando meu ego, que optei por massacrá-lo de n’s formas, graças a uma sequência de frases de efeito que cumpriram seu papel. O pontapé foi reconhecer a necessidade de receber “parabéns” sei-lá-porquê no 14 de abril e seguir destruindo todos os mimimis que vinham com uma justificativa enorme e necessidade de aceitação.

Com a avaliação da vaidade em tudo, aprendi até a dizer nãos, muito embora o meu raio não tenha exercitado os ouvidos para aceitá-los. Os 24 completos trouxe a ideia de “em poucos dias terei 1/4 de século e preciso ser adulta”, mas a adulta sem deixar minhas criancices particulares e muito menos o encanto com as coisas, até perecíveis, mas que apontam diretamente para Eternidade.

Eu vejo Deus em tudo e mergulhar num curso que aborde a linguagem, que enfatize a comunicação, faz meu coração medroso e ansioso palpitar. A possibilidade de repassar minhas percepções, mesmo sabendo que elas falarão indiretamente de mim para desconhecidos, mesmo com a incerteza de maturidade concreta, ainda me faz pensar nos recomeços e… é fluente.

Nem que seja pra avaliar e ver que, feliz ou infelizmente, as mudanças vieram. E graciosamente, tais palavrinhas fluíram como presente.

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